Rafael OliveiraVIEW PROFILE →
O Norte volta à elite: o Remo reencontra a Série A depois de 32 anos
Pela primeira vez desde 1994, o Remo disputa a primeira divisão do futebol brasileiro, e leva de volta ao Brasileirão uma região que não tinha representante desde 2005. Um retorno que mudou o mapa do campeonato de 2026.
Existe um tipo de retorno que vale por muito mais do que uma vaga na tabela. Em 2026, o Remo voltou a disputar a Série A do Campeonato Brasileiro depois de 32 anos de ausência, e trouxe consigo uma história que atravessou uma geração inteira de torcedores. Para quem acompanha o clube de Belém, a notícia não é apenas esportiva, é o encerramento de uma espera que parecia não ter fim. O Leão Azul está de volta ao lugar onde acredita que sempre deveria estar.
A última vez que o Remo havia figurado na elite do futebol nacional foi em 1994, num tempo em que o próprio formato do campeonato ainda era outro. De lá para cá, o clube conviveu com divisões inferiores, reconstruções e temporadas de frustração, sempre carregando uma das maiores torcidas do Norte do país. O acesso conquistado para 2026 transformou anos de expectativa em realidade concreta, colocando o nome do Remo novamente ao lado dos grandes do Brasil.
O significado do retorno vai além das quatro linhas. O Remo se tornou o primeiro representante da região Norte na Série A desde o Paysandu, em 2005, encerrando duas décadas de vazio para uma das partes mais apaixonadas e menos representadas do futebol brasileiro. Em um campeonato historicamente dominado pelos clubes do Sul e do Sudeste, a presença de um time paraense recoloca o Norte no mapa da primeira divisão.
A campanha que quebrou o jejum
O caminho de volta passou pela Série B, onde o Remo garantiu o acesso ao lado de um trio de peso. Coritiba terminou a segunda divisão na primeira colocação, seguido pelo Athletico Paranaense e pela Chapecoense, todos clubes com passado recente na elite. Subir em meio a essa concorrência deu ao acesso do Remo um valor extra, porque não foi um acaso, foi resultado de uma temporada consistente diante de adversários acostumados a brigar por posições de destaque.
Para a cidade de Belém, o efeito foi imediato. Uma torcida que enche estádios mesmo nas divisões de baixo passou a ter, de novo, a chance de ver seu clube receber os gigantes do país dentro de casa. O acesso reacendeu uma paixão que nunca esfriou e devolveu ao calendário local a expectativa de jogos grandes, daqueles que marcam época e ficam guardados na memória de quem esteve presente.
Um Brasileirão de 20 clubes e 38 rodadas

O Brasileirão de 2026 manteve o formato tradicional, com 20 clubes disputando pontos corridos em turno e returno, num total de 38 rodadas por equipe. A competição começou em 28 de janeiro e tem encerramento previsto para 2 de dezembro, um calendário longo que exige regularidade acima de qualquer lampejo isolado. Nesse desenho, o Remo divide a tabela com nomes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio.
O Remo se tornou o primeiro clube do Norte na Série A desde o Paysandu, em 2005.
A temporada ainda foi cortada ao meio por um intervalo fora do comum. Entre 11 de junho e 19 de julho, o Brasileirão parou para dar lugar à Copa do Mundo de 2026, disputada em Canadá, Estados Unidos e México. Essa pausa dividiu o campeonato em dois momentos distintos e obrigou as equipes a recomeçarem o ritmo depois de semanas sem jogos oficiais, um desafio a mais de planejamento para clubes recém-chegados como o próprio Remo.
A briga pelo título
Na parte de cima da tabela, o Palmeiras assumiu o papel de protagonista. Até 16 de agosto, o time alviverde liderava o campeonato com 48 pontos conquistados em 23 partidas, sustentando uma média que o coloca como forte candidato ao troféu. O aproveitamento próximo de dois pontos por jogo mostra a consistência que costuma decidir campeonatos de pontos corridos, nos quais tropeços raros valem tanto quanto grandes atuações.
A edição de 2026 também ficou marcada por um traço curioso e ofensivo. O campeonato registrou uma sequência de 65 partidas seguidas sem nenhum empate por 0 a 0, superando marcas anteriores de 48 jogos em 1964 e 46 em 2011. O número traduz um Brasileirão de bola na rede, em que as equipes buscaram o gol com frequência e transformaram cada rodada em uma promessa de emoção para o torcedor.
Para o Remo, o desafio agora é diferente do que foi conquistar o acesso. Manter-se na elite exige montar um elenco competitivo, somar pontos contra adversários de orçamento muito maior e transformar o apoio da torcida em vantagem real dentro de campo. Seja qual for o desfecho da temporada, o retorno já cumpriu um papel simbólico, recolocando o Norte na primeira divisão e provando que o mapa do futebol brasileiro é mais amplo do que a rotina dos últimos anos sugeria.





